CÓDIGO CIVIL
Lei Nº 10.406, de 10 de Janeiro de 2002.
Artigo 1701
A pessoa obrigada a suprir alimentos poderá pensionar o alimentando, ou dar-lhe hospedagem e sustento, sem prejuízo do dever de prestar o necessário à sua educação, quando menor.
Parágrafo único. Compete ao juiz, se as circunstâncias o exigirem, fixar a forma do cumprimento da prestação.


 
 
 
Resumo Jurídico

O Direito de Retirada de Terceiro em Transações Imobiliárias

O artigo 1701 do Código Civil estabelece uma proteção legal para terceiros que, de boa-fé, adquiriram direitos sobre um imóvel antes de serem notificados sobre a existência de um direito de preferência de outra pessoa. Em termos simples, ele permite que um terceiro, que não tinha conhecimento da situação, consolide sua compra mesmo que alguém tivesse um direito anterior.

Para quem se aplica?

Este artigo é relevante em situações onde existem direitos de preferência, como:

  • Locação: O locatário (inquilino) geralmente tem direito de preferência na compra do imóvel locado caso o proprietário decida vendê-lo.
  • Condomínio: Em alguns casos, condôminos podem ter preferência na compra de uma unidade que está sendo vendida por outro condômino.
  • Outras situações previstas em lei: O direito de preferência pode surgir em diversas outras circunstâncias.

O que o artigo protege?

O artigo 1701 protege o terceiro adquirente de boa-fé. Isso significa que ele garante o direito de quem comprou o imóvel sem saber que havia outra pessoa com um direito de preferência. A boa-fé é fundamental aqui, pois o comprador não agiu com a intenção de prejudicar o titular do direito de preferência.

Como funciona o direito de retirada?

Quando um imóvel é vendido a um terceiro sem que o titular do direito de preferência seja devidamente comunicado e tenha tido a oportunidade de exercer seu direito, o artigo 1701 permite que este terceiro adquirente, se agiu de boa-fé, consolide a sua aquisição.

Em outras palavras:

  • Se o proprietário vende o imóvel e se esquece de oferecer primeiro para quem tinha o direito de preferência, e a venda é feita para um terceiro.
  • Se esse terceiro não sabia da existência do direito de preferência (estava de boa-fé).
  • Então, a compra feita por esse terceiro é válida e ele tem o direito de permanecer com o imóvel.

Importância do Cumprimento das Notificações

É crucial destacar que este artigo não anula a existência do direito de preferência. Pelo contrário, ele reforça a importância do vendedor cumprir rigorosamente com as notificações legais ao titular do direito de preferência. A falha em notificar corretamente pode resultar na perda do imóvel pelo comprador que agiu de boa-fé, caso o titular do direito de preferência decida exercer seu direito posteriormente e comprove a negligência na notificação.

Em suma, o artigo 1701 do Código Civil busca equilibrar os interesses, protegendo quem adquire um bem confiando na regularidade da transação, ao mesmo tempo em que ressalta a necessidade de respeito aos direitos de preferência já estabelecidos.